A maldição de criarmos expectativas
08/03/2017 08:10

Hoje quero escrever sobre as nossas decepções pois afinal, quem nunca as teve?
Pois então, a origem delas está em esperarmos que os outros ajam como nós mesmos agimos. Esperamos a mesma sinceridade, reciprocidade, mas, no entanto, os valores que definem os nossos corações não são os mesmos que vivem na mente e no coração dos outros.
O filósofo William James, comentou em suas teorias, que uma forma de encontrar a felicidade está em conseguirmos minimizar as nossas expectativas: "Não espere nada de ninguém, espere tudo de si mesmo, desse modo o seu coração irá armazenar menos decepções e com isso, não te magoarás ou te decepcionarás com ninguém.”
Todos nós temos muito claro que no que diz respeito às nossas relações, é impossível não criarmos expectativas. Esperamos que certos comportamentos e aspectos queremos nos sentir amados e valorizados. E infelizmente, esperando APENAS isso, acabamos feridos em algum detalhe.
Os pais que esperam que seus filhos ajam de uma determinada maneira, os casais que esperam tudo de seu parceiro e amigos que esperam que os apoiemos em tudo. Todas estas situações comuns são exemplos claros do que é conhecido como “a maldição das expectativas.”
É claro que existem certos tipos de expectativas que se enquadram dentro do que é esperado que são pilares que sustentam relacionamentos positivos e saudáveis.
Ninguém é ingênuo por necessitar ver sempre o lado bom das pessoas. Temos o direito de vê-lo, encontrá-lo e até mesmo promovê-lo, mas com alguma cautela. Porque a decepção é a irmã das elevadas expectativas.
Podemos esperar muito dos demais, no entanto, o certo é sempre esperar mais de nós mesmos.
Para nos ajudar a não esperar muito das pessoas e desta forma, não nos ferirmos por causa do comportamento e atitudes do outro (seja qual a relação que tivermos com esta pessoa) existem duas coisas que podemos fazer para nos ajudar pois, com certeza, sempre haverão os ingratos, os que nos usam, os que não nos respeitam e muito menos valorizam toda a nossa bondade e amor por eles.
Primeira, precisamos entender que ninguém é perfeito, nem mesmo nós mesmos. Se fôssemos agradar as expectativas que os outros têm sobre nós, viveríamos estressados e infelizes. É impossível, ninguém é um exemplo de perfeição ou virtude absoluta. Basta respeitar uns aos outros e exercer a reciprocidade da forma mais humilde possível.
Segunda, aprender a diferenciar expectativas e dependência. Construímos grandes expectativas em relação a alguém em particular porque permitimos que ele(a) nos exija que ajamos como ele(a) querem, porque é a única maneira de nos sentirmos bem e ficarmos com esta pessoa pois a amamos.
E terceira e muito importante, se temos este tipo de pessoa ingrata em nossa relação social, emocional, familiar ou profissional, devemos "baní-la" de nosso coração e de nossa vida pois devemos SIM pensarmos em nosso bem estar físico, emocional e mental.
Para concluir, talvez William James, a quem citamos no início, estava certo com sua simples proposta: quanto menos esperamos, mais surpresas ruins podemos ter. Isso seria simplesmente dar-se ao luxo de ser um pouco mais livre e menos dependente do comportamento dos outros. Jamais nos desrespeitariam ou nos tirariam o valor real que temos. Pois estas pessoas, mesmo que eu tenha criado expectativas sobre elas, a única coisa que eu esperava era o mesmo sentimento que tinha: respeito, valorização e sinceridade no sentimento. Reciprocidade com relação a isto, e não, mágoa.
Somos todos seres imperfeitos tentando viver em um mundo onde, por vezes, decepções são inevitáveis, mas no qual também podemos e devemos escolher quem conviverá conosco, com amor sincero e atitudes verdadeiras.
