Qualidade e quantidade

20/01/2015 09:27

Ontem, ao telefone, fiquei conversando com uma amiga por um longo período, pois fazia muito tempo que não nos falávamos.

Tem pessoas que, mesmo que faça tempo que não se converse com elas, os assuntos surgem espontaneamente. Menciona-se durante o papo, sobre como vai à vida: a família, o trabalho, a saúde, os amores, as aquisições, as dificuldades, os problemas. Sobre algumas coisas inesperadas que acontecem e que, quantas vezes, quando nos “pegam de surpresas”, nos sentimos perdidos e muitas vezes, nem sabendo por onde começar para resolver.

Pois então, depois de uma longa conversa, ela começou a relatar-me, principalmente e dando mais importância, a tudo que ela e o marido passaram a TER.

Fiquei feliz pelas aquisições deles como reforma e ampliação da casa, do carro que trocaram, do adicional que ela passou a receber pelo seu excelente desempenho profissional, de tudo o que os filhos estavam pedindo e sendo presenteados.

Despedimo-nos e, depois eu sozinha, fiquei pensando em tudo que ela havia me relatado, e principalmente, de que forma ela usaria todas essas aquisições, de forma qualitativa com sua família.

Então, na minha inocência e intensidade de sentimentos, fiquei desejando à ela e a todas as pessoas que se preocupam muito com o TER...

Que ela e estas pessoas quando conseguirem uma casa maior, que nela, quase todos os cômodos fiquem vazios e que suas famílias fiquem unidas ao redor de uma única mesa.

Que alguns, conforme seus sonhos, comprem o seu carro e descubram que ele pode ficar parado na garagem enquanto caminham de mãos dadas por um parque, com seu amor.

Que alguns realizem o desejo de comprar uma TV enorme, 3D, com home theater, mas que esta permaneça desligada durante o maior período do dia e durante as refeições, para que possam dialogar e ouvir como foi maravilhoso o dia da sua família.

Que a conta bancária de alguns esteja satisfatoriamente recheada, mas que tenham no bolso um ou dois reais para comprar algodão doce e saboreá-lo sujando os dedos ou doar a uma entidade filantrópica ou aos menos favorecidos.

Que alguns tenham um excelente plano de saúde, mas que se esqueçam que ele existe e não precisem usá-lo.

Que a internet trafegue em altíssima velocidade, mas que a melhor rede seja aquela pendurada entre duas árvores, onde se possa deitar, relaxar e ouvir os pássaros cantarem ou estar sentando, numa roda de amigos, jogando conversa.

Que alguns tenham um smartphone de última geração, mas que não precise usá-lo para dizer às pessoas mais importantes da sua vida o quanto elas são especiais.

Que alguns tenham um Ipad, um Iphone, um tablet ou qualquer outro aparelho tecnológico de última geração mas, que use mais as pontas dos dedos para fazer cafuné do que para mandar e-mails ou digitar mensagens.

Que alguns possam comprar boas roupas, bolsas e relógios, mas que a verdadeira marca deixada seja a sua melhor, o seu lado humano, generoso e solidário, pelos lugares por onde passará.

E que assim, conquistando tudo o que sempre quiseram, descubram que mais importante do que aquilo que eles têm é aquilo que eles são.

E que, realizando seus sonhos, não deixem de amar, de valorizar, de respeitar e de querer com intensidade estar sempre próximo daqueles que lhes são especiais.