Você vê, sente, se importa e faz alguma coisa ou é só mais um na multidão?
Por três vezes nesta semana que passou, fiquei parada em filas de espera, olhando para um relógio digital que marcava o tempo que não parava de correr e onde também, marcava lentamente, as senhas para atendimento.
Neste espaço onde me mantive esperando, fiquei pensando nas relações comuns que temos diariamente.
Aquelas relações com as pessoas que vamos encontrando em meio à correria e ao estresse dos dias. No ambiente de trabalho, nas filas de banco, enquanto esperamos exaustivamente em salas diversas a chamada da nossa senha. Todo esse tipo de contato com outras pessoas que a vida nos faz ter.
Nestas situações, algumas vezes, nos tornarmos mais simpáticos e mais civis e também, ampliou a visão sobre a solidão em que vivemos, mesmo quando cercados de tanta gente e entretenimento. Pois não é raro encontrarmos alguém em uma dessas filas e minutos depois, ficarmos sabendo em que ela trabalha, onde mora e, principalmente, as últimas dificuldades que têm enfrentado.
Essas conversas que surgem diariamente com desconhecidos parecem viciar todas as pessoas em relações rápidas, onde a única necessidade é um pouco de atenção e dois dedos de prosa.
É claro que nisso não podemos desconsiderar pela forma de vida agitada em que estamos inseridos. O tempo se torna determinante nos relacionamentos – em todos eles – como uma espécie de dificuldade: ou se tem tempo para a família, ou para os amigos, ou para o parceiro... E os chamados elos ou vínculos que deveriam ser construídas nestes relacionamentos tornam-se fracos e, quase sempre, tendem a desmoronar, por falta de tempo.
Nessa rapidez em que vivemos, não costumamos parar e refletir sobre quanta gente, que antes se relacionava conosco, desapareceram. Parece inacreditável o número de pessoas que chegaram e partiram.
Daí entra uma questão, que muito me incomoda e intriga: Por que nós humanos, não nos ajudamos? Paramos alguma vez para perguntar, a nossos amigos mais próximos se estão com algum problema, algum conflito? E, se por acaso algum deles nos contar de suas aflições ou temores, somos capazes de pegar de nosso tempo para ajudá-lo? Será que damos uma oportunidade para as pessoas modificarem quando ainda querem ficar próximas a nós?
Na maioria das vezes não! Pois o pensamento sempre costuma ser: "Por que vou me envolver com algo que não me diz respeito?', “Ele que se vire para solucionar”, ou “cada um com os seus problemas”, ou “siga o teu caminho que eu sigo o meu, se for para nos encontrarmos mais adiante, acontecerá”.
Se pudéssemos ter alguma esperança com relação à salvação da espécie humana com certeza eu diria que precisamos desacelerar, parar e sair deste processo de insensibilidade e de invisibilidade com relação ao outro e passarmos a vê-los como pessoas que também sente exatamente como nós sentimos.
Nossa vida precisa de muito mais de um olhar para o outro, muito mais de tempo para convivermos e nos importarmos.
Se não há felicidade nos relacionamentos, em muito se deve ao fato de não vermos o outro como alguém que não é somente mais um, mas um todo a ser descoberto, com qualidades e defeitos, diferentes de nós, talvez menos evoluídos e, que quando juntos, iluminamos, geramos beleza e toda espécie de aprendizado, pois afinal, é por isso que estamos aqui.
